terça-feira, 28 de setembro de 2010

Painting is fun. Cinema is boring. - Jerzy Skolimowski

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Cores Proibidas

A existência da obra artística contém em si uma duplicidade. Essa era sua opinião. Da mesma maneira que uma velha semente de lótus desenterrada pode voltar a dar flores, as obras artísticas de vida eterna ressucitam no coração de todas as épocas e países. Ao entrarmos em contato com uma obra antiga, nossa vida torna-se prisioneira do espaço e do tempo contidos na obra e descarta o resto da vida presente. Vivemos então uma segunda vida, cujo tempo interior já está previsto e estabelecido. Isso é o que chamamos de estilo. Espantamo-nos inconscientemente com a incrível força que uma obra tem de alterar nossa visão de vida, e isso é obra do estilo. Ora, sempre falta estilo nas experiências e influências da vida. Shunsuke não se curvava aos naturalistas, que consideram que a obra de arte reveste a vida de estilo ou, em outras palavras, procura oferecer a ela uma vestimenta pronta para usar. O estilo é o destino inato da arte. É preciso ter em mente que a experiência da obra e a experiência da vida diferem justamente quanto ao estilo. Nas experiências da vida, há apenas um elemento que é mais próximo da experiência de uma obra de arte. Essa experiência é a emoção que a morte nos causa.

MISHIMA, Yukio, 1925-1970. Cores Probidas (Kinjiki), Japão, 1951.

sábado, 25 de setembro de 2010

Há ainda algum sentido em se fazer cobertura de festival?

Porto, Junho de 2000





Le mauvais moment risque de durer (por aqui também)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O perigo de querer ser um autor

A perversão da noção de autor é incontestavelmente uma herança negativa da Nouvelle Vague. Antes, aqueles que eram considerados autores dos filmes eram os roteiristas, uma tradição que vinha da literatura. Nos créditos, os nomes dos diretores vinham por último, a não ser para pessoas como Ford ou Capra, mas unicamente por serem também produtores. Nós, porém, dissemos: "Não, a direção é o ato fundador e verdadeiramente criador do filme. E Hitchcock é autor da mesma forma que Balzac." A partir daí, desenvolvemos a política dos autores, que consistia em sustentar um autor, mesmo quando ele era fraco. Sustentávamos com mais facilidade um filme ruim de um autor do que um bom filme de alguém que não o fosse. E assim o conceito se perverteu, transformou-se em um culto do autor, e não no de seu trabalho. Então, todo mundo se tornou autor, e, hoje em dia, estamos satisfeitos quando o cenógrafo não pede para ser reconhecido como o autor dos pregos que ele usa no cenário. O termo, portanto, não quer dizer mais nada. Muito poucos filmes são feitos por seus autores hoje em dia. Pessoas demais se ocupam de coisas de que não são capazes. Reconhecem-se talentos, originalidades, mas o sistema não existe mais, tornou-se algo vasto e pantanoso. Acho que quando lançamos a política dos autores, nos enganamos ao privilegiar a palavra "autor" quando, na verdade, era a palavra "política" que deveria ter sido destacada. Pois o verdadeiro objetivo desse conceito não era demonstrar quem faz a direção, mas explicar o que faz a direção.

JLG

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O que é dado a se ver de "vigor" num filme em que a violência energúmena das personagens é excedida somente pela violência estúpida da realização - fiel, nesse sentido, ao vigor que localizamos, por exemplo, no comportamento das bestas ou dos espécimes larvais?

Assim sendo, a única coisa na qual Cabeça a Prêmio realmente parece se empenhar é em constituir o catálogo de todas as práticas cinematográficas mais abomináveis da atualidade: cruzamento de imagens desbotadas e hipersaturadas na foto; nenhuma articulação entre os planos que decupam no tempo e no espaço um local ou, no caso específico da montagem, de uma idéia, mesmo que abstrata, da totalidade formada pelas trajetórias tão fatalistas e deterministas das personagens, que acabam convergindo para esse lugar nenhum que é o universo do filme (a não ser que admitamos de uma vez por todas que o essencial da construção do universo de um filme se dá não no trabalho sensível que o cineasta exerce sobre o seu material, mas no papel atribuído a uma extrapolação do papel da cenografia, corroborada por, e não "acordada a", uma fotografia que não lida mais com espaços mas com "ambientações" - portanto, com decoração, com lugar comum, com ornamentos, paredes de espeluncas engorduradas do chão ao teto, com soberania da cenografia sobre a foto e desta sobre a direção visual do filme, com publicidade em suma, mas não com realização, e menos ainda com mise en scène); Otávio Muller mais uma vez convocado para a enésima imitação de Carlos Vereza; final "aberto", provavelmente para injetar uma ambigüidade que dramaturgo e cineasta não foram capazes de desenvolver durante todo o filme; etc. etc.

Evidentemente está sendo elogiado pelos mesmos que há anos (e anos e anos e anos...) só conseguem lançar o mesmo olhar viciado sobre filme brasileiro, qualquer que seja.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

domingo, 19 de setembro de 2010

Bizâncio, século VI. A população se revolta contra o imperador Justiniano, e só é contida com a intervenção enérgica da imperatriz Teodora, uma ex-cortesã, e do general Belisário. Eis a situação histórica real. No filme é meio diferente. Por fofoca de um ministro ambicioso, Teodora é culpada pela insurreição e condena......da à morte pelo próprio marido. Mas Belisário chega em tempo e os verdadeiros culpados são desmascarados. Se a ficção e a realidade não se ajustam, fiquemos com a primeira, no cinema pelo menos. Veja os minutos finais de "Teodora", 1954, do Riccardo Freda, um expert do cinema espetáculo. Gianna Maria Canale é Teodora, George Marchal é Justiniano. Repare no ritmo eletrizante da montagem e da trilha sonora, na maestria da movimentação das multidões. É o cinema popular de aventuras no seu apogeu, gênero em que os italianos foram mestres.

João Carlos Rodrigues

sábado, 18 de setembro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

sábado, 4 de setembro de 2010

Incrível como o Tarantino sai de uma das contestações mais vivas e radicais do academicismo cinematogáfico da década (Death Proof, e particularmente os 10 minutos finais) para cair no pior tipo de caricatura rançosa, melosa e pseudo-teatral (toda a insuportável parte Shosanna em Bastardos) de cinema.

Como cineasta, ele se sai melhor investindo em estruturas lineares (Jackie Brown, Death Proof) ou apostando suas fichas num alvoroço de formas pitorescas (Kill Bill, Bastardos)?

Ou talvez - e essa hipótese me agrada e interessa bem mais - trata-se sobretudo dele ser solicitado em seus verdadeiros talentos pelo gênio da presença de certos atores (Russell, Parks; Grier, Forster, De Niro).

Beyond the Canon: Paul Vecchiali

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

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