quarta-feira, 28 de novembro de 2012

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

E até onde eu sei, a modalidade "escrever sobre filmes de que só se viu a metade ou menos" foi de fato inaugurada ou por Serge Daney ou por Glauber Rocha. O Jairo Ferreira - sim, aquele do prêmio - também andou pegando carona nessa inaceitável prática.

Mas que injusto: esqueci que as daneyzettes brasileiras são essas reservas de coerência e consciência, indo às lágrimas ao reler O travelling de Kapò e depois às nuvens vendo Bastardos Inglórios.

Ah tá, porque a Cinética não tem uma (ou duas, ou três) idéia pronta - e errada, e mentirosa, e conveniente, hipócrita, complacente e auto-complacentemente vira-casaca (delírio-rio-rio-rio-rio-rio, deslumbramento-to-to-to-to-to) - do cinema brasileiro.

Antes de bancar os detentores da razão absoluta da esquerda cultural, que tal carregar 57 kg. de argamassa debaixo de um sol de 38º em Goioerê, coisa que talvez fizesse o Ainouz, o Belmonte e vocês entenderem um punhadinho de coisas sobre o mundo concreto que vocês aparentemente nunca entenderam e até hoje não parecem capazes de entender lendo Agamben, Marcuse, Debord e todos esses clichês do mundinho academia (molóides, covardes, acomodados culturo-intelectuais) de que vocês parasitam?

Showgirls é o único filme verdadeiro da história do cinema.

sábado, 17 de novembro de 2012

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

(...) o grande segredo desta arte que vinga, tudo devora, se autodestrói e o caralho a mil mas que ao mesmo tempo é fonte de todas as dádivas, amores, paixões, beijos, reposições e devoluções ao grande ecrã do que lhe roubaram. Saudades de rostos e de olhares. A beleza do gesto como móbil de resistência, como no princípio. Só por isso.

Giusto, il mio film lo descriverei così. E ai corpi e alle atmosfere aggiungerei anche pensieri, amori. La vita non basta. La mia vita non basta più. Sono un onnivoro, però mi accorgo che non mi resta più molto tempo. Non c'è abbastanza spazio nella mia memoria.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Bernard Eisenschitz apresenta La Petite Lise

Limitação não é gostar de algo e, pior, assumir que se gosta de algo... Limitação é gostar e dizer que não gosta, ou desgostar e dizer que gosta. Ou ainda passar os anos 2000 todinhos pagando pau pra Hou, Kiarostami, Hong, Eastwood, Tarantino, Yang (cineastas do Rissient, portanto cineastas, esses sim, de um possível neomacmahonismo), falando inclusive de "suprema beleza" no caso do Hou, sem se dar a menor conta de que se é neomacmahoniano, e o sendo ainda por cima pelo intermédio de um pateta legitimado por etimologias acadêmicas histriônicas como o Burdeau - que, como o Assayas nos anos 80, adorava pegar uma caroninha nas valorações do Rissient (nem mesmo com o conhecimento do que um Bozon, uma Camille Nevers ou uma Frappat, para ficar em apenas três críticos bem superiores ao Burdeau e do mesmo período, estavam fazendo nesse período com a herança incontornável, ao menos no campo da crítica cinematográfica, da ação macmahonista, passando por territórios antes explorados e levando-a a campos até então inexplorados - cf. Lettre du cinéma).

Isso sim é limitação.

O melhor a se fazer, em todo o caso, é beber da água direto da fonte - ou seja, não do Rissient, do Lourcelles ou do Mourlet, mas do T.S. Eliot, do Faure, do Borges ou do Winckelmann. Pelo menos se ainda estamos falando de crítica de arte, e não de estudos culturais.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

E quem acha que o que dizemos é alienar-se das discussões sobre o que o cinema no Brasil tem potencial para ser pode rever O Viajante para entender o que uma mise en scène moderna representa, assim como a viabilidade, a vitalidade e a pertinência de um cinema romanesco.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Quem não entendeu que num filme do Griffith, do Pedro Costa e do Tony Mann o valor de um rosto JAMAIS será intercambiável com o de um arbusto - apesar de rostos e arbustos serem igualmente sublimados, supliciados, magnificamente filmados, fundidos de maneira harmônica ao universo ficcional como em Oliveira e Visconti -, quem não vê que há um verdadeiro abismo entre o que eles fazem e a paridade biológica absoluta com que a câmera de Apichatpong registra rostos e arbustos nivelados a "puros corpos", não viu nem entendeu NADA.

Tiago, você tá TOTALMENTE errado, e não só na forma como entende o que chama de "moderno" - que não é o novo e sim a RELAÇÃO entre a novidade e a tradição, e nesse sentido sim, é uma coisa à qual "estamos condenados" - como também na forma como entende o que chama de "neomacmahonismo fora de época" (que é o que toda uma ala contrariada da crítica brasileira, no conforto de suas "igrejinhas", sejam estas acadêmicas ou político-administrativas de outra espécie, pretende, ou pretende acreditar, que estamos fazendo, quando na realidade o regressismo e o academicismo está, precisamente, nas percepções e nas imprecisões dessa ala - favor ler ou reler com atenção o que se escreveu sobre Lupino, Newman, Eugène Green, Guiguet e o próprio Gray).

Moderno é propriamente o que o Rivette fazia nos Cahiers, é o que mais tarde o Vecchiali, o Biette e o Guiguet vão fazer na Diagonale, é também o que o Sganzerla fez aqui no Estadão e no Copacabana Mon Amour, é se situar como o Resnais fez na aventura do cruzamento entre cinema e teatro: ou seja, é atravessar Fritz Lang e Holderlin por música serialista, Borges e Ionesco; é diagonalizar Cocteau, Mizoguchi e Grémillon com pornografia e Gabriel Faure; é achatar Uchida e chanchada com Noel Rosa, Godard e Jimmy Hendrix; é vitalizar as adaptações de peças do Ayckbourn com o teatro do Sacha Guitry, irrigando o segundo no primeiro a fim de evitar um engessamento da modernidade em formas puramente ecunêmicas (ou seja, a enésima imitação de cacoetes marienbadianos).

Muito, mas muito mais importante - moderno, contemporâneo e, portanto, urgente - que colocar lado a lado "o Fassbinder dos anos 70" (...) "com o Godard dos 60" (esta sim "a repetição de um debate muito gasto pela 'política dos autores'", basta lembrar do que escreveram nos anos 80 Yann Lardeau, Daney, Bergala, Aumont, whatever) é colocar lado a lado o Fuller ao Fassbinder, o Fassbinder ao Vecchiali, o Vecchiali ao Brisseau, o Brisseau ao Laurent Achard, e dar continuidade a esse esforço não numa forma linear impossível, nessa idéia absurda de que a modernidade se depaupera, apenas "segue em frente", e sim numa forma circular possível - isto é, fechando esse círculo com o Laurent Achard sintetizando Argento e Treilhou, Michael Powell e, quiçá, Holy Motors.

Ao invés disso, o que se vê por aqui é sempre a mesma coisa, sempre as mesmas figurinhas tarimbadas falando do Apichatpong, do Garrel, do Wes Anderson e do resultado do Festival de Brasília. Desculpe-me, mas quem são os conservadores? Para essas coisas já bastam a Film Comment e o Rosenbaum.

Sobre a "realidade do cinema brasileiro", uma última pergunta: por que essa impressão de que ao se falar sobre "moderno cinema brasileiro", a palavra mais importante é sempre "brasileiro", seguida de "moderno" e só depois de "cinema"?

domingo, 4 de novembro de 2012

É preciso mais coragem para matar os velhos deuses que para adotar os novos. - Élie Faure

Arquivo do blog