segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Dans ONCE UPON A TIME A HONEYMOON, l'appel à la lutte contre le nazisme vient s'immiscer dans le schéma d'une comédie américaine classique et s'exprime à travers la prise de conscience d'un personnage traditionnel du genre, et donc peu préparé, au départ, à de telles révélations. Dans SATAN NEVER SLEEPS, qu'on pourrait décrire comme une fuite hors de l'Eden envahi, s'installe presque malgré l'auteur une amertume qu'on voyait poindre déjà dans telle séquence de MAKE WAY FOR TOMORROW ou dans MY SON JOHN. Modernes malgré eux (n'est-ce pas la meilleure façon de l'être?), ces films, qui dissimulent à peine la colère rentrée du plus pacifique et du plus chaleureux des hommes, ne disent-ils pas, d'une manière plus persuasive encore que si l'auteur avait voulu le dire ouvertement, la difficulté du bonheur, de l'harmonie, et combien un monde qui serait fondé sur eux est encore loin du nôtre, est encore à créer.

Jacques Lourcelles, McCarey, Anthologie du cinéma nº 70, L'Avant scène du cinéma, novembro 1972

domingo, 16 de dezembro de 2012

Ok, Ruy, vamos fingir então que a mesma revista não falou bem de Melancolia, Cavalo de Guerra, As Aventuras de Tintim, Cisne Negro, Honoré, Xavier Dolan, além de umas merdas insípidas ou simples papagaiadas nas quais você adora cair (obviamente na cola dos Cahiers - novidade...) tipo Super 8 e A Árvore da Vida, as quais já estão com os dias mais do que contados, e pelas quais você apenas manifesta sua já habitual incapacidade de discernimento somada a uma articulação precária de gosto com intuição e visão (lembra do Andrucha, Casa de Areia? Frat Pack? Aquele gênio-sumidade do McG que agora vai co-dirigir filme com Luc Besson? Feio feio fail...). É necessário ver os filmes, não só olhá-los, e basta ler as trivialidades que você escreve hoje em dia - sobre Hong, por exemplo - para dar-se conta de que já há algum tempo você se empenha mais no segundo que no primeiro, o que resulta nessa crítica puramente temática e tautológica que se pretende formalista da maneira mais apressada e desengonçada, e pelo seguinte: como formalista você tem que voltar pra escolinha, bicho, visto que o teu entendimento do papel e da importância da síntese da concepção na realização técnica dos filmes, do abstrato com o concreto, é uma coisa totalmente inorgânica, e portanto não só programática como praticamente nula. Quando muito, e talvez esta tenha sido a sua principal contribuição ou importância como crítico numa época já bastante remota, você consegue notar e escrever sobre o vácuo ao redor da estrutura, num reconhecimento bem superficial de certos conteúdos formais que, julgando pela leitura de um texto seu, existem numa ausência de qualquer estrutura, na inexistência de qualquer composição pela qual viriam a ganhar um peso, uma importância na forma com que atuam no interior do filme (a tal "tessitura" que vocês adoram suscitar mas que discutem sempre da forma mais vaga), ou mais simplesmente um papel (talvez por isso nenhuma análise real de um filme pelo ponto de vista da construção num texto seu). Antes de se falar de conceito, de idéia, de mise en scène em suma - que é o quê você e todos sempre tentam, com ou sem ciência, com ou sem partícipes mourletianos, demonsablonianos, rivettianos, bazinianos, labartheanos, bietteanos ou o que seja (Deleuze, Burdeau, Aumont, Tesson e o raio que o parta) - tem que saber ver minimamente a realização, e só a partir daí se pode ambicionar abordar aquilo que o teu amiguinho Roland Barthes chamava de "grau zero". Julgando pelo que você tem escrito já há alguns anos, passou da horinha de voltar ao be-a-bá - porque antes de Barthes vem Delluc, antes de Delluc vem Braque, antes de Braque algum japonês filósofo-samurai-pintor-eremita que daria uma surra em mim e em você.

Vamos aproveitar e fingir também que vocês, que adoram apontar os dedos para os que supostamente não dão "nomes aos bois", não são uns completos cagões cínicos que se utilizam politicamente tanto das indiretas como das diretas - quando, como e o quê for mais adequado para vocês. Política escrotíssima, diga-se de passagem, mas que não surpreende quem os conheceu da época da Contra.

Vamos continuar fingindo, inclusive, que não é você quem se ressente até hoje das duas esculhambadas que levou de mim por e-mail, logo após a cobertura do Festival do Rio de 2008 (em parte relacionadas a essa cobertura mas no geral tocantes ao teu projeto e ao teu trabalho lambão de editoria da Contra), ou seja, mais ou menos uns três meses depois de você ter pedido para a Juliana Fausto falar comigo para ver se eu topava escrever novamente para a Contra (pedido que antecede, inclusive, o convite que o LCOJr. e o Alpendre fizeram para que eu participasse da pauta Losey). Estranha cronologia essa: a pauta Losey sai, não recebo um senão seu, e depois dessa troca de e-mails nem um pouco amistosa, na qual fiz críticas duras, as quais ninguém nunca teve coragem de fazer por conta da tua postura verdadeiramente coerente de encarar quaisquer críticas feitas a você como um desacato, começa esse papo babaca e futriquento de neo-macmahonismo. Falando neste, você realmente quer que eu lembre desta vergonha de incompreensão e de má leitura sisuda e deformadora; quer que eu realmente sublinhe pérolas da heresia da incompreensão como "o cinema deveria lidar não com a realidade vivida em conjunto entre os indivíduos de uma comunidade, mas exclusivamente com os anseios mais marcadamente individuais e fantasiosos que temos –, essa frase e essa defesa do cinema exclusivamente pela fascinação assustam por retirar do cinema seu elo com o mundo real, fazendo com que uma mulher não seja uma mulher, mas a mulher; não um amor, mas o amor; não um gesto belo, mas o gesto belo por excelência"; quer que eu comente como é feio misturar semiologia com ontologia, cientificismo jeca com abstração, a tautologia mais vaga com uma objetividade vergonhosamente confundida com subjetividade; como, conseqüentemente, é estúpida a sugestão de que só poderia existir objetividade na ordinariedade, no mundano pelo mundano, zavattinismo ainda mais incompetente que o original; como é tosco alguém que fala em termos sub-Joyardianos do tipo "plano ponto-de-vista sentimental" querer a todo custo rechaçar o Mourlet por uma coisa que, por sinal, o Mourlet não faz porque simplesmente não existe no macmahonismo essa projeção de sentimentos e subjetividades pessoais nos filmes; como, em suma, é feio bancar o sabichão sem estudar direito as coisas... Ou eu posso te fazer um favor, tentar pegar leve e lembrar disto aqui, escrito um pouquinho antes da nossa desavença e, surpresa!, num tom bastante próximo do do macmahonismo, veja só. Mas talvez o que você deva fazer mesmo é lembrar do que falava de mim para as pessoas antes de ser colocado na parede naquele e-mail, lembrar o ponto em que isso muda e como difere de forma assustadoramente completa do que você diz hoje. Reveladora essa completa inversão das coisas, para não dizer simples desonestidade intelectual, algo por sinal bastante recorrente nos teus hábitos intelectuais... Famosa tática da falácia do espantalho.

Vamos fingir também que essa sua atitude de ditadorzinho patrulheiro formador de consensos não levou a crítica de cinema que nasce com a Contra primeiro prum puta impasse e depois pro brejo.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

NO COMMENT

Do you feel class is something not addressed enough in U.S. film?

[Class is] not discussed in American life very much -- there’s a notion that social or economic class divides don’t exist when of course they do. But that wasn't always true in film -- think of John Ford, it’s always all over his films. The idea of "Vertigo" is partly genius because of social class -- the idea is he has to make Kim Novak up to the fancier version of Kim Novak in order to rekindle his obsession. So class becomes part of that story. Today, I mean, what social class can you find if someone’s a fucking Spider-Man? What the fuck does that mean?

I'm sensing a degree of dissatisfaction with current mainstream U.S. film from you...

I think it’s in profound trouble in a way that is not reflected by people writing about cinema now. What I find troubling is, I’ll read, for example, conversations between AO Scott and Manohla Dargis [in the New York Times] and I find that they’re extremely erudite, and I love what they say.

But sometimes I feel like the subtext is them trying to convince themselves and each other that the state of cinema not so bad. And what neither of them has ever really addressed, and I have not read it anywhere else either, is the troubling disappearance of "the middle." Which is not to say the middlebrow -- that exists with flying colors. But there is tremendously interesting cinema being made that is very small, and there are very huge movies which have visually astounding material in them, but you know Truffaut said that great cinema was part truth, part spectacle, so what’s really missing is that. It’s what United Artists would have made in 1978 or something.

Like "Raging Bull" could not be a low-budget movie, it just couldn’t, there’s a certain scale that’s involved in making it, and no one would make "Raging Bull" today. The last example of the industry doing this middle movie that I’m talking about, to me would be Michael Mann’s film “The Insider” which I really like. That has scale and also a bit of truth it. What I don’t see as part of the discourse is a discussion on the economic forces that have forced out the middle. There is some discussion, some awareness, but not enough, because to me that is the central crisis of American movies: the disappearing middle of the mainstream.

So where has the audience for these films gone?

They’ve migrated to television. So there’s superb television, but it’s not for me because first of all, the two-or-three hour format is just perfect, because it replicates best our birth-life-death cycle. "The Sopranos" was genius television but it went on forever, and it never seemed to culminate in anything, and then everyone was pissed off at the ending but that’s exactly why TV cannot substitute for a great movie because the swell of the architecture of a movie is part of what makes it the most beautiful visual art form.

And it’s true, right? There’s a kind of beautiful movement to a wonderfully structured film which is not reproduce-able by the best "Breaking Bad" [episode], which, by the way, is great. But it’s not the same thing - that’s a kind of luxuriate, get the food delivered, sit down in front of the TV and for that moment, that hour, you’re in pleasure, and then you go back to your life until the next week. It’s not quite the same [as a movie], not as transformative.

(...)

Does storytelling feel too unironic for our ironic times?

Yeah, I’m not exactly certain when that began. And it’s not just movies, it’s culture-wide. Look at music, the idea of melody. I would say over the last 30 years melody is not really particularly important. Isn’t that analogous to story [in film]?

I think that people have done [the destruction of narrative thing]. Derek Jarman made "Blue," and that’s it. Once he made "Blue" you can’t do anything else. Once Andy Warhol shot the Empire State Building for 8 hours what are you going to do? What more can you do? Jackson Pollock "broke the ice." And by the way I love these people. Jackson Pollock is the greatest, I’m not badmouthing these people, but cinema, for me, the meaning of it is telling a story on film.

For me, it’s an act of hubris to say that you don’t need story because it means that we would be members of the first group of human beings in the entire history of the human race that didn’t need story. And I’m not so arrogant as to suppose that’s the case.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

[...] Modernité, splendeur et magnificence de Parole et utopie.

Sobre Olivier Assayas, ou "the-interview-giver".

(ou ainda: porque os fanboys de gente como o Assayas não assistem nem têm curiosidade de assistir filmes de gente como Richard Dindo, Clemens Klopfenstein, Matjaz Klopcic, Jean-Claude Guiguet e Raffaello Matarazzo)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Die Erschiessung des Landesverräters Ernst S. e os vinte e quatro primeiros números da Movie subidos no KG.

sábado, 1 de dezembro de 2012

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