quinta-feira, 29 de maio de 2014

quarta-feira, 28 de maio de 2014

+ duas ou três coisas sobre contemporaneidade

"Em certas épocas estranhas faz-se necessário um outro tipo de sacerdote, chamado poeta, para fazer com que os homens se lembrem de que ainda não estão mortos. Os intelectuais entre os quais me movi não estavam vivos o suficiente nem mesmo para temerem a morte. Não tinham sangue suficiente em suas veias para serem covardes. Até o cano de uma pistola ser enfiado por debaixo de seus narizes, não sabiam nem mesmo que um dia haviam nascido. Para épocas olhando os céus com uma perspectiva eterna, pode parecer verdade que a vida é um aprendizado para a morte. Mas, para estes infelizes, é igualmente verdade que a morte era sua única chance para aprenderem a viver."

G. K. Chesterton, Manalive

segunda-feira, 26 de maio de 2014

quinta-feira, 15 de maio de 2014

quarta-feira, 14 de maio de 2014

terça-feira, 13 de maio de 2014

sábado, 10 de maio de 2014

A crítica de cinema é o exato oposto do que o Stéphane Delorme diz que é

Ou, mais precisamente, ela é o que o Jean Douchet define no texto sobre Os Mil Olhos do Dr. Mabuse.

Ou seja, isto (crítica epistemológica, de Faure a Pound):

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Não há nada que um professor de cultura contemporânea aprove mais que um bom aluno, aplicado, disciplinado (mesmo que sob uma fachada de rebeldia conscienciosa, a anti-rebeldia por excelência) e obediente, desses alunos que se esforçarão em repercutir e propagar, sem questionamento e auto-questionamento alguns, as idéias propostas pelo professor, e mais especificamente pela autoridade vigente e institucional desse professor enquanto tal. O processo que decorre de toda essa engrenagem é comumente chamado de "arrivismo".

Da mesma forma não há nada que um iconoclasta moderno, alguém que por definição não professa o que quer que seja, refute mais que esse bom aluno.

Ou toda a diferença entre modernidade e contemporaneidade: a modernidade é, e sempre foi, discurso de ruptura (não a ruptura pela ruptura, afastamento gratuito que não se relaciona mais com o que o antecedeu por mero capricho, mas a ruptura que estabelece, como um marco limiar, justamente que tipo de relação se tem com aquilo que a antecedeu, cf. Buñuel Straub Fuller Oliveira Guiguet Brecht Eliot Joyce), do que decorre sua essência eminentemente romântica, enquanto a contemporaneidade apenas dá continuidade, consensual e ecumênica como todas as formas de continuidade (sejamos mais diretos: de passagem de poder), legitimando em termos de discurso (desconstrutivismo, mera inversão de valores para reforçar e acentuar ainda mais os contrastes de corpos sociais incômodos etc.) essa continuidade (ou "continuum", como gostam de definir os próprios contemporâneos cheios de culpa e má-consciência), mesmo quando esse "continuum" de contemporaneidade dá vazão e conduz apenas e tão-somente aos frutos mais depauperados, ordinários, frustrantes, degenerados e equivocados (à catástrofe, em suma; e nisto, mas não somente nisto, não se afastando em absolutamente nada do nosso bom e velho academicismo) daquilo que um dia foi moderno.

Modernos:











ou



ou



ou

Se o efeito Kuleshov tivesse sido inventado só para que Freda filmasse a cena em que Cosette recebe a boneca das mãos de Jean Valjean o cinema já teria sido plenamente justificado em 1947.

























quinta-feira, 8 de maio de 2014

O segredo da minha felicidade diária:


(agradecimentos eternos ao Caio)

Enquanto regozijam-se e masturbam-se com a renovação semanal de cânones dos espólios Cinema Scope/Brenez/vulgar auteurism - visto que Honoré, Desplechin, Ainouz e tantos outros gênios-de-um-dia já caíram da graça, perderam o frescor (i.e. saíram do prazo de validade, já não correspondem mais às exigências sempre cambiáveis da "arte contemporânea"); porque só fazem antecipar e aguardar avidamente, ano após ano, a putaria diária de Cannes-Locarno-Berlim etc.; e porque confundem, dia após dia, curiosidade e inquietação com inflação e especulação de ativos no mercado cultural internacional da "sétima arte" (sétima porém entupida de seis), deixam escapar e assim condenam, pelas suas miopias e avareza de espírito, dois cineastas ímpares no cinema mundial e uma autêntica obra-prima - possivelmente o que de melhor se produziu em Portugal desde Juventude em Marcha; certamente um dos cinco melhores filmes da década - ao ostracismo.

(sobre o filme em questão: Straub + Jean Painlevé)

... to strenghten the perceptive faculties and free them from encumbrance, such encumbrances, for instance, as set moods, set ideas, conventions; from the results of experience which is common but unnecessary, experience induced by the stupidity of the experiencer and not by inevitable laws of nature.

Exemplo de potência e poética revolucionárias - as quais se opõem diretamente ao vampirismo hedonista e babaca, à compunção intimidadora e chantagista e, por isso mesmo, apolítica e ahistórica, para não dizer impotente (cf. Serra), da arte acadêmica - na representação política (e, portanto, concreta e minuciosa) da história pela síntese do mito.

L'aura réconciliatrice des films de DeMille est plus inoffensive aujourd'hui que le supplément d'âme que donne le théâtre de Brecht à ceux qui s'en confortent aujourd'hui, puisque voilà reléguée dans le passé sa force d'impact sur le présent: il faudra donc attendre encore quelques années pour que la conjoncture historique qui soutient ce bloc théâtral perde un peu en résonance et pour qu'apparaisse ce qu'il y a de plus structurellement théâtral dans les pièces de Brecht, selon les mêmes phénomènes qui nous permettent de comprendre, de goûter et d'étudier les cantates de Bach. Rappelons aussi qu'à quelqu'un qui lui demandait, au cours d'un dîner, ce qu'il faisait dans la vie, Brecht répondit: « Je fais des bijoux pour les pauvres. » (Jean-Claude Biette, Un cinéma brechtien?, L'Herne, « Brecht » Tome 2, 1977)

Ao sangue putrefato de uma arte gangrenada,
às dondocas reconfortadas pelo pedantismo de chás e saraus culturais,
preferir sempre as bijuterias para os pobres:





















Romário, Nelson Piquet e Fábio Jr. num filme do John Milius sobre a Revolta Tenentista.

Toma essa, Lei Rouanet!

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